Os Pestes chega pra provar que até os personagens mais nojentos de Roald Dahl merecem uma chance na tela
Confesso que fui assistir Os Pestes com o coração meio dividido. Adaptar Roald Dahl é sempre um desafio gostoso de acompanhar, porque o autor tinha um jeito tão único de misturar humor e ironia que fica difícil saber se a produção vai acertar essa dose certinha. Esse filme tenta, e o resultado acabou deixando o público bem dividido entre quem se divertiu de verdade e quem sentiu falta de algo a mais. Esse tipo de expectativa é normal quando o material de origem já é tão amado, e confesso que fui assistir torcendo bastante pra essa versão conseguir capturar aquele espírito tão especial dos livros.
A trama acompanha o Sr e a Sra Twit, aquele casal malvado e fedorento que todo mundo que já leu o livro lembra com carinho, donos do parque de diversões mais peculiar e cheio de armadilhas que já existiu, batizado de Twitlândia. Quando os dois bolam um roubo ambicioso pra dominar a cidade inteira, duas crianças órfãs corajosas, Beesha e Bubsy, entram em cena, unindo forças com uma família de animais mágicos numa aventura pra impedir esse plano antes que seja tarde demais. É esse tipo de personagem cativante mesmo sendo nojento que sempre fez a magia dos livros de Dahl funcionar tão bem, e o filme claramente tentou preservar esse carinho especial

De onde vem essa história tão peculiar
Pra quem não conhece a origem, vale saber que essa animação é baseada no livro infantil de Roald Dahl, publicado lá em 1980, um dos queridinhos de quem cresceu lendo o autor. O livro sempre foi conhecido por misturar comédia grotesca com uma pitada de crítica social escondida dentro de uma história pra criança, e é justamente esse equilíbrio delicado que o roteiro tenta reproduzir na telinha. Essa mistura sempre foi um dos maiores desafios de qualquer adaptação de Dahl, já que o humor dele nunca teve medo de incomodar um pouco antes de fazer rir.
Quem dá vida a esses personagens
O elenco de dublagem reúne Margo Martindale e Johnny Vegas como o casal Twit, ao lado de Maitreyi Ramakrishnan, Ryan Anderson Lopez, Emilia Clarke e Natalie Portman. A direção e o roteiro ficam por conta de Phil Johnston, que também assina a produção pra Netflix, entregando bastante carinho visual pra cada cena. Vale destacar que essa dupla de vozes principais recebeu elogio recorrente justamente pela entrega cômica carregada de energia contagiante ao longo de todo o filme.

O que dividiu opinião entre quem assistiu
Parte do público sentiu que o roteiro explica demais, entregando diálogo que soa meio didático demais na hora de deixar bem claro quem é o mocinho e quem é o vilão da história. Também tem gente que achou o começo um pouco confuso demais de acompanhar. Por outro lado, quem entrou de coração aberto pro humor mais irreverente e nada convencional acabou se divertindo bastante com essa ousadia toda que foge bastante do padrão mais seguro de animação familiar por aí.

Detalhes práticos pra você organizar sua sessão
O filme tem uma hora e trinta e oito minutos, tempo gostoso pra uma tarde tranquila, disponível pra assistir na Netflix desde dezessete de outubro de 2025. Se for assistir com criança pequena em casa, vale só um aviso carinhoso, alguns pais notaram que certos comportamentos dos personagens principais pedem uma conversa extra tranquila depois de assistir juntos.

Essa é uma aposta que vale a curiosidade
Vale a curiosidade de conferir como esse humor tão particular de Roald Dahl ganhou vida em animação, mesmo que o resultado não agrade todo mundo do mesmo jeito. Ainda com as ressalvas, dá pra sentir claramente o carinho da produção em tentar homenagear a irreverência inteira do material original.
Adaptar um autor com um estilo tão especial nunca é tarefa fácil pra nenhum estúdio, e esse filme prova que, mesmo quando a fórmula toda não fecha de forma perfeita, ainda existe muito coração e boa vontade por trás de toda essa tentativa.
Luciana Ogassawara é a criadora do Universo Filmes e Séries, um blog feito para quem ama cinema e televisão. Apaixonada pelo audiovisual, ela traz dicas e listas com um olhar atento.Do clássico ao streaming, seu conteúdo é envolvente, acessível e cheio de personalidade. Aqui, todo filme tem uma história para contar.







