Uma Festa de Aniversário Que Vira Campo de Batalha. Descubra O Aniversário

O Aniversário

Tem filme que usa festa de família só como cenário bonito pra história acontecer em outro lugar. O Aniversário faz o oposto completamente. A festa é o próprio campo de batalha, e eu passei o filme inteiro tentando adivinhar quem ia explodir primeiro naquela mesa cheia de sorriso forçado, porque toda cena parecia carregar um segundo significado escondido embaixo da educação de superfície.

O longa acompanha os Taylor, uma família que por fora parece perfeita demais pra ser verdade. Durante a comemoração dos vinte e cinco anos de casamento de Ellen, vivida por Diane Lane, e Paul, vivido por Kyle Chandler, tudo caminha bem até o filho mais novo apresentar a namorada nova pro clã inteiro. A partir desse momento, cada sorriso na mesa começa a parecer mais tenso do que o anterior, até o ponto em que ficou difícil lembrar qual conversa ali era realmente inofensiva.

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O detalhe de bastidor que muda como você enxerga a trama

Aqui vai uma curiosidade que eu achei genial depois de pesquisar mais fundo. A namorada em questão, chamada Liz, já foi aluna de Ellen no passado, e o reencontro das duas não tem nada de gentil. Liz faz parte de um movimento chamado A Mudança, algo que traz à tona tensões antigas e rachaduras que a família vinha empurrando pra debaixo do tapete havia anos. O roteiro usa essa disputa ideológica dentro de casa como espelho de algo bem maior acontecendo lá fora, na sociedade americana atual, um recurso que dá ao filme uma camada política que vai muito além do simples drama de família brigando à mesa de jantar.

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Elenco de peso pra sustentar tanta tensão em cena

Além de Diane Lane e Kyle Chandler, o filme reúne Dylan O’Brien, Madeline Brewer, Zoey Deutch e Mckenna Grace como os quatro filhos do casal, cada um lidando de um jeito diferente com a bagunça que a chegada de Liz provoca. A direção é assinada por Jan Komasa, nome que já mostrou domínio sobre tensão social em outros trabalhos e aqui aplica esse mesmo talento dentro de um único almoço de família, transformando um evento supostamente comemorativo em algo que parece cada vez mais perto de explodir a qualquer segundo.

O Aniversário

Onde o filme acerta em cheio

O que mais funciona aqui é a sensação de que qualquer frase dita à mesa pode detonar uma bomba emocional guardada há anos. Não existe vilão óbvio logo de cara, e isso obriga o espectador a escolher lado sozinho, sem receber a resposta pronta, o que torna a experiência bem mais desconfortável do que qualquer drama família comum costuma entregar. É o tipo de desconforto que prende justamente por parecer familiar demais pra muita gente que já sentou numa mesa de família assim e sentiu o ar ficar pesado sem que ninguém precisasse dizer uma palavra em voz alta.

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Onde eu senti que faltou um pouco mais

Por outro lado, alguns conflitos secundários entre os irmãos ficam um pouco na superfície, e dava pra render mais profundidade se o roteiro tivesse dado mais tempo de tela pra cada um deles respirar fora da confusão central envolvendo Liz, já que alguns desses irmãos claramente tinham história própria suficiente pra render um arco só deles.

Esse é o tipo de filme que rende conversa depois dos créditos

Se você gosta de drama familiar que expõe verdade incômoda em vez de esconder atrás de cena bonita, esse filme entrega isso com sobra. Prepare uma pipoca e um grupo pra discutir logo depois, porque esse roteiro não deixa ninguém saindo do cinema calado.

Saí da sessão pensando em quantas festas de família por aí escondem tensão parecida atrás de um brinde educado e um sorriso ensaiado pra foto

Luciana Ogassawara é a criadora do Universo Filmes e Séries, um blog feito para quem ama cinema e televisão. Apaixonada pelo audiovisual, ela traz dicas e listas com um olhar atento.Do clássico ao streaming, seu conteúdo é envolvente, acessível e cheio de personalidade. Aqui, todo filme tem uma história para contar.

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