Spielberg voltando pra falar de alienígena de novo depois de duas décadas inteiras parecia repetição segura demais, mas o resultado acabou me pegando de um jeito bem diferente
Sempre que um diretor já consagrado revisita um tema que já explorou antes na própria carreira, bate aquela dúvida se vai ser reciclagem preguiçosa ou reinvenção de verdade. Dia D prova, com sobra, que Steven Spielberg ainda sabe surpreender dentro de um assunto que ele praticamente ajudou a inventar no cinema ao longo de décadas de carreira dedicadas a esse tipo de história.
O longa acompanha o momento em que a existência de vida extraterrestre deixa de ser teoria e vira fato inegável pra toda a humanidade, tudo em questão de instantes. Tudo começa quando uma meteorologista, ao vivo na televisão, é dominada por uma força invisível bem diante das câmeras, perdendo completamente a fala e emitindo sons estranhos que ninguém consegue explicar direito. A partir daí, sinais estranhos e casos bem parecidos de controle mental começam a se espalhar pelo mundo inteiro, enquanto governos ao redor do mundo tentam desesperadamente controlar a narrativa em torno de tudo isso.

O detalhe de bastidor que muda como você enxerga o filme
Aqui vai uma curiosidade interessante pra quem gosta de entender contexto de produção. O título original em inglês é Disclosure Day, algo como dia da revelação oficial, numa referência direta ao momento em que segredos guardados por quase um século sobre contato alienígena finalmente vêm à tona. Essa é também a trigésima colaboração entre Spielberg e o compositor John Williams, parceria que já dura décadas inteiras e ajudou bastante a construir boa parte da trilha sonora mais marcante do cinema americano ao longo das últimas cinco décadas.
Elenco reúne nomes fortes pra sustentar essa história
O time principal conta com Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth, Colman Domingo, Eve Hewson e Wyatt Russell, todos eles envolvidos direta ou indiretamente nessa corrida bem tensa pra entender o que está realmente acontecendo com o planeta inteiro. Um informante ligado diretamente ao próprio governo também ganha papel bem central dentro da trama, tentando expor segredos que autoridades escondem havia muito tempo sobre esse contato, arriscando a própria carreira em nome dessa verdade tão incômoda pra muita gente poderosa.

Onde o filme mais impressiona
O que chama atenção aqui é como Spielberg equilibra o assombro típico de filme sobre contato alienígena com uma tensão quase de thriller político denso, sem cair no exagero de destruição em massa que costuma marcar boa parte das produções recentes do gênero. É um retorno ao tom mais contemplativo que marcou seus trabalhos mais antigos sobre o tema, só que agora com uma camada extra de desconfiança institucional que conversa bem de perto com o momento político atual que vivemos.
Onde a crítica encontra ressalva
Nem tudo é elogio unânime. Parte da crítica aponta que o ritmo do segundo ato desacelera demais, e que certas subtramas envolvendo os personagens de apoio acabam ficando bem menos desenvolvidas do que o material central envolvendo a revelação alienígena realmente merecia receber ao longo da produção.

Vale acompanhar essa nova aposta de Spielberg
Se você é fã da forma como o diretor sempre tratou contato extraterrestre com fascínio genuíno em vez de terror gratuito, esse filme entrega isso com uma camada extra de mistério governamental que deixa tudo ainda mais tenso. Vale muito acompanhar como essa história se desenrola até o final ambíguo que já está gerando bastante discussão entre quem já assistiu logo nas primeiras semanas de estreia.
Terminei o filme pensando em como certas revelações sobre o desconhecido conseguem ser ao mesmo tempo fascinantes e completamente aterrorizantes dependendo de quem está contando a história e do que essa mesma pessoa decide esconder ou revelar ao longo do processo todo.
Luciana Ogassawara é a criadora do Universo Filmes e Séries, um blog feito para quem ama cinema e televisão. Apaixonada pelo audiovisual, ela traz dicas e listas com um olhar atento.Do clássico ao streaming, seu conteúdo é envolvente, acessível e cheio de personalidade. Aqui, todo filme tem uma história para contar.







